Se dúvidas houvesse: IPJ já!

10 Setembro 2018

Por Tiago Manuel Rego

Presidente da FNAJ

 

Volvidos vários meses de uma desvalorização pública do Instituto Português do Desporto e da Juventude - IPDJ, com vários casos e episódios nada abonatórios da boa imagem deste organismo público, exige-se aos nossos governantes um plano de contingência que minimize os estragos.

A 1 de julho de 2018, já perante as polémicas no Desporto, a Federação Nacional das Associações Juvenis – FNAJ, tornou pública a vontade do movimento associativo juvenil de ter de novo uma representação própria, o IPJ – Instituto Português da Juventude, ou seja, um organismo que possa melhor ouvir e apoiar os jovens e as suas organizações, livre dos condicionalismos subjacentes à integração da Juventude e Desporto num mesmo instituto, e que seja capaz de concretizar a almejada cogestão entre os jovens e o Estado de um instituto público que tutela a Juventude portuguesa. Na reunião do Conselho Consultivo do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, no dia 31 do mesmo mês, a FNAJ reiterou essa vontade e apelou à responsabilidade dos agentes do setor da Juventude na preservação do valor indiscutível do movimento associativo juvenil, reconhecido, aliás, pelo Presidente da República aquando o 16ºENAJ – Encontro Nacional de Associações Juvenis, esperando que a crise no Desporto não contagie a Juventude, pelo facto dos dois setores serem geridos pelo mesmo organismo público. Todavia, a crise no IPDJ, que começou com casos de violência no desporto, corrupções nas federações desportivas, falta de fair-play e uma perda de valores, está longe de ter terminado e ganhou novos contornos com a alteração da equipa diretiva do IPDJ, resultando em inúmeros comunicados e contrarrespostas, ou seja, numa enorme “lavagem de roupa suja” que mina de forma indiscutível a relação da sociedade com este organismo público, que surge agora, de forma injusta, como um antro de vícios e fraudes.

Se dúvidas houvesse da necessidade de separar a Juventude do Desporto foram agora indiscutivelmente esclarecidas! Como pode o setor da Juventude ser gerido por um organismo que, face aos inúmeros escândalos no Desporto, perde credibilidade na opinião pública. Por estarmos todos no “mesmo saco”, perdemos todos ou ganhamos todos, e neste momento a Juventude perde de forma desmerecida.

Por vezes, ouvimos dizer que não interessem que falem bem ou mal, o importante é que falem. Contudo, para um instituto desconhecido da maioria dos portugueses ser esta a primeira impressão que têm deste organismo pode ser fatal, sendo mesmo muito negativa para o trabalho de enorme responsabilidade social que o mesmo presta, nomeadamente à Juventude. Com a agravante, como já alguém dizia, de não haver uma segunda oportunidade para criar uma boa primeira impressão, e com o IPDJ esta foi pela negativa.

Zelar pelo trabalho sério que este organismo faz em prol da Juventude é um imperativo moral para a Federação Nacional das Associações Juvenis, que teme pelo desânimo e desalento dos técnicos do IPDJ, agora envolvido numa luta de lama entre os seus anteriores e atuais diretores. Na preservação do bom nome desta instituição governamental, a FNAJ será sempre um aliado e testemunha pública da missão imprescindível do IPDJ para a sociedade portuguesa, pelo menos no que à Juventude diz respeito.

Mas perante tanta destruição, erguer de novo pode mesmo ser a única solução, salvaguardando, pelo menos, a Juventude.

Se vontade política houver para mitigar os estragos profundos no IPDJ e fazer algo em prol da Juventude e das suas associações, então que se volte a criar o IPJ, fazendo desta uma prioridade imediata da ação governativa para este setor.

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